04.06.2020  19h25

A história, o racismo e a Igreja

Uma pequena discussão a respeito do posicionamento da Igreja frente ao racismo.

Juliana Pereira | Comunicação MIR

Reconstrução de Jesus, de Richard Neave.

Muito nos acostumamos à imagem de Jesus com perfil europeu: loiro, branco e olhos claros. Será que ele era assim mesmo? Esse padrão estético para Cristo teve início com os turcos e macedônicos, os quais, em suas igrejas, o retratavam de pele mais clara, com olhos escuros e cabelos castanhos. Anos mais tarde, essa configuração ganhou ainda mais força na Itália Renascentista a qual popularizou um Jesus caucasiano de olhos claros. Contudo, alguns especialistas colocam em xeque esse pensamento.

 

Primeiramente, é fato que Jesus Cristo é proveniente do Oriente Médio, mais especificamente, região da Galileia, norte de Israel. Povos dessa região são descritos como de pele escura (sendo ainda mais intensificada devido ao clima árido e semiárido) olhos escuros e cabelos cacheados. Joan E. Taylor, historiadora neozelandesa, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King's College de Londres, confirma ao afirmar: “Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele (Jesus Cristo) tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio". Além disso, Richard Neave, especialista forense em reconstruções faciais e membro da Unidade de Arte em Medicina da Universidade de Manchester, em 2001, utilizou conhecimentos científicos e reconstruiu o que, para ele, seria a imagem mais próxima da realidade de Jesus: “Detectamos que a aparência de Jesus Cristo provavelmente se distancia muito das representações da estética Renascentista. Ele seria mais musculoso do que o retratado, e mais baixo, com altura de 1,50 metro. Também identificamos que ele pesaria aproximadamente 50 kg”, afirma Neave.

 

Mas como o histórico de Jesus europeu pode influenciar nos dias de hoje?

Recentemente, o mundo se comoveu pelo caso de George Floyd, o homem negro de 59 anos vítima de uma abordagem brutal de um policial de Minnesota (EUA). O caso de Floyd ganhou repercussão internacional e de magnitude imensa, porém, não foi um caso isolado. Diariamente há vítimas de racismo. O retrato de Cristo europeu é reflexo do pensamento de épocas antigas, porém, ainda atual, em que a referência de “beleza perfeita” que se tinha, era exatamente a caucasiana, sendo disseminada por vários países e, assim, perdurou por séculos, contribuindo para a construção cultural e histórica de vários povos, uma vez que o cristianismo é a maior religião do mundo.

 

Qual o posicionamento da Igreja?

É de suma importância salientar que racismo se configura como pecado, pois fere o segundo mandamento: “ame ao seu próximo como a ti mesmo”. Esse ato precisa ser combatido com amor e correção, pois esse é o papel da Igreja. Por fim, a bíblia explicita que não há distinção de pessoas, “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28). Diante do exposto, é inadmissível que nós, cristãos, como igreja, toleremos, tenhamos atitudes racistas ou fiquemos em silêncio em meio aos fatos decorridos nos últimos dias e aos vindouros.

 

Referências:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47985039

https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2018-03-29/aparencia-jesus-cristo.html

https://www.bbc.com/portuguese/geral-43560077

https://super.abril.com.br/blog/oraculo/quem-inventou-a-imagem-do-jesus-8220-europeu-8221-branco-e-de-olhos-claros/

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