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ESTUDO | REFORMA

O Cristianismo evangélico de hoje dificilmente poderia ser imaginado sem o período da história conhecido como Reforma. Grandes reformadores do passado, como Martinho Lutero, João Calvino, John Wesley e muitos outros, trouxeram mudanças e transformações ao Cristianismo que eram necessários para a sobrevivência da Igreja.

 

“Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços; Mas, no segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo; Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo, que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção.” (Hebreus 9:6-10)

 

A passagem acima de Hebreus fala de um tempo futuro de reforma messiânica que será conduzida em particular para com o povo de Israel. Depois desse tempo, velhas tradições de culto no Templo se tornarão obsoletas e um novo tempo de adoração será introduzido ao povo de Deus.

 

A Palavra de Deus registra diferentes épocas de reforma na história do povo de Israel. Os homens de Deus por toda a Bíblia foram usados para trazer reformas vitais. Asa (II Crônicas 15), Ezequias (II Crônicas 30, 31), Josias (II Crônicas 34) e Neemias são apenas alguns exemplos de grandes líderes transformacionais que renovaram o estado espiritual de Israel.

 

Reformas eram necessárias quando os israelitas se alienavam de Deus. Ao longo das gerações, costumes e tradições foram estabelecidos, contrariando a vontade revelada de Deus. Essas tradições incluíam serviços no Templo apóstatas (que renegavam a fé e a crença), deteriorando os valores familiares, a idolatria, ou uma decadência moral na sociedade em geral. Durante esses períodos, a liderança espiritual da nação (os Sacerdotes e Profetas) muitas vezes era indiferente ao declínio moral do povo de Deus.

 

Porém, quando os reformadores reintegravam a vontade de Deus no meio do povo, eles mudavam não só a compreensão, mas também o coração e o comportamento das pessoas. A nação inteira começou a buscar a Deus (II Crônicas 15:12). Como consequência, Deus começou a abençoar Seu povo novamente e Israel experimentou períodos de paz, segurança e prosperidade.

 

Às vezes, tempos de reforma levam à descoberta de velhas verdades e doutrinas que estavam o tempo todo na Palavra, mas nunca fizeram realmente parte da tradição espiritual da nação. Ezequias, por exemplo, ‘redescobriu’ a festa da Páscoa. Durante séculos, Israel tinha deixado de comemorá-la – “desde os dias de Davi” para ser exato.

 

Provavelmente, os teólogos da época tinham muitas razões para explicar por que a Páscoa, festa de expressão única da fé de Israel, deixou de ser relevante. Isto é, até Ezequias tomar uma decisão ousada para reestabelecer este feriado sagrado bíblico.

 

Mais notável ainda foi a “redescoberta” da celebração da Festa dos Tabernáculos durante o tempo de Neemias. É notável, uma vez que esta festa parecia nunca ter desempenhado qualquer papel em toda a história de Israel, até Neemias...

 

“E toda a congregação dos que voltaram do cativeiro fizeram cabanas, e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de Jesua, filho de Num, até àquele dia; e houve mui grande alegria.” (Neemias 8:17)

 

Depois de cerca de 1000 anos de história judaica, esta festa acabou sendo comemorada em uma reforma que impactou o povo judeu e continua impactando até os dias de hoje.

 

A Igreja também passou por várias reformas e redescobertas de velhas verdades. Uma delas, por exemplo, foi a redescoberta da chamada para missões mundiais. A maioria das Igrejas não tinham uma grande visão para as tribos perdidas e não civilizadas do mundo. Isso mudou quando os irmãos Moravianos e pessoas posteriores como Hudson Taylor e William Carey deixaram seus países de origem para se tornarem missionários em terras distantes. Eles se tornaram reformistas, pois subverteram o olhar da Igreja para missões mundiais. Hoje, é difícil imaginar uma Igreja local sem um orçamento para missões e evangelismo.

 

A necessidade de Reforma

 

Durante vários períodos da história de Israel, os profetas chamavam à reforma. Foi Jeremias quem previu a iminente destruição de Israel e repetidamente chamou a nação ao arrependimento e reforma.

 

“Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal contra vós; e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações.” (Jeremias 18:11)

 

Caso eles não conseguissem reformar, como nação seriam julgados por Deus. Já por meio de Moisés, Deus tinha advertido a Israel que se eles recusassem mudar seus caminhos, Ele iria lidar com eles de acordo com suas rebeliões. “Se ainda com estas coisas não vos corrigirdes voltando para mim, mas ainda andardes contrariamente para comigo, eu também andarei contrariamente para convosco...” (Levítico 26:23, 24b)

 

Da mesma forma, as cartas às sete Igrejas de Apocalipse, capítulos 2 e 3, são chamadas urgentes para a reforma. Das sete, cinco estavam em necessidade urgente de reforma.

 

Reforma não é somente um tempo de arrependimento individual. Reforma sempre impacta todo o povo de Deus. A lei mudou, novas ordens sociais inspiradas por Deus foram estabelecidas e a nação como uma consequência veio debaixo da bênção de Deus.

 

Isto é o que a reforma de Martinho Lutero e João Calvino realizou. Foi também o resultado do ministério de John Wesley, na Inglaterra. Grande parte do nosso código de ética ocidental e cultural baseia-se nas forças reformadoras que varrem a Europa entre os séculos XVI e XVIII. Impactou ainda em maior medida na fundação dos Estados Unidos. Muitos dos reformadores que foram perseguidos na Europa encontraram um lar no novo mundo e tornaram-se parte ativa da criação de uma cultura americana adiantada, construída sobre verdades bíblicas. Reformas sempre começaram dentro da Igreja e em seguida, geraram um impacto sobre a sociedade em geral.

 

Há uma necessidade urgente de um novo tempo de reforma para a Igreja de hoje. Em nossas Igrejas ocidentais da Europa e da América do Norte, há uma preocupação com a crescente influência da secularização das nossas sociedades. A Europa há muito tempo vem abandonando suas raízes cristãs e muitos cristãos americanos estão preocupados que a sua herança original, como “uma nação sob Deus”, está sendo assaltada. Há necessidade de outra reforma na Igreja Ocidental, pois esta não tem só perdido o impacto sobre a sociedade, mas o mundo está começando a impactar a Igreja.

 

Muitos cristãos hoje procuram por uma solução olhando para seus governantes. “Se tivéssemos mais coisas vindas do governo, seria melhor”. Eu já ouvi isso muitas vezes. Sim, a Igreja é chamada a orar por nossos governantes e esse chamado precisa ser levado mais a sério. Mas o lugar de onde Deus espera a mudança nacional se origina menos do governo e mais do Seu povo.

 

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14)

 

A chave para a restauração e cura da Nação encontra-se com o povo de Deus. Se o povo de Deus buscar a Sua face, mudar os seus hábitos, reformar sua cultura religiosa de volta às suas raízes apostólicas, então Deus promete uma temporada de cura nacional. Vamos nos unir durante 2015 e torna-lo um ano em que oramos buscamos por reforma para a Igreja do Deus vivo.

 

Por Dr. Jürgen Bühler

diretor executivo da ICEJ

 

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